Pensamento

Terrível é o pensar. Eu penso tanto
e me canso tanto com meu pensamento
que às vezes penso em não pensar jamais.
Mas isto requer ser bem pensado.
Pois se penso demais
acabo despensando
tudo que pensava antes.
E se não penso
fico pensando nisso o tempo todo.

(MILLÔR FERNANDES)

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BACHAREL E LICENCIADO EM FILOSOFIA. EDUCADOR. MEMBRO DA ACADEMIA DE LETRAS E ARTES DE ARAGUARI. ESCRITOR PREMIADO EM DIVERSOS CONCURSOS LITERÁRIOS. COLABORADOR Da REVISTA MUNDO JOVEM E DE DIVERSOS JORNAIS, PERIÓDICOS E BOLETINS. Assessor Pedagógico, Coordenador de Projetos educacionais e culturais.

SIMULADOS DE FILOSOFIA: Enem, Vestubular e Concursos

Prova e Gabarito - Professor de Filosofia - Secretaria de Ensino - Colégio Pedro II - Rio de Janeiro - 2009

PROVA PRELIMINAR - FILOSOFIA

Questão 1
Vernant conclui em As origens do pensamento grego que:
A) a jovem ciência dos jônios espelha a razão intemporal que veio encarnar-se no Tempo.
B) recolocada na história, prova-se que a filosofia reveste-se de um caráter de revelação absoluta.
C) é no plano político que a Razão, na Grécia, primeiramente se exprimiu, constituiu-se e formou-se.
D) a escola de Mileto fez nascer a própria Razão, que foi aprimorada pela razão experimental.

Questão 2
Na geração do cosmo, a preponderância à terra, ao fogo, à água e ao ar costuma ser atribuída, respectivamente, aos seguintes pensadores pré-socráticos:
A) Parmênides, Heráclito, Tales e Pitágoras.
B) Xenófanes, Heráclito, Tales e Anaxímenes.
C) Pitágoras, Anaxágoras, Tales e Anaximandro.
D) Empédocles, Anaximandro, Tales e Parmênides.

Questão 3
"Para defender-nos, teremos de necessariamente discutir a tese de nosso pai Parmênides e demonstrar, pela força de nossos argumentos que, em certo sentido, o não ser é; e que, por sua vez, o ser, de certa forma, não é. (...) Enquanto não houvermos feito esta contestação, nem essa demonstração, não poderemos, de forma alguma, falar nem de discursos falsos nem de opiniões falsas" (Platão, Sofista, 241d-e).
I. O falso é possível porque
II. O não ser, em certo sentido, é.
As afirmações I e II dizem respeito ao trecho citado do Sofista de Platão. A alternativa correta é:
A) I é verdadeira e II é verdadeira, e II é condição para I.
B) I é verdadeira e II é verdadeira, mas II não é condição para I.
C) I é verdadeira e II é falsa, e II não é condição para I.
D) I é verdadeira e II é verdadeira, e I é condição para II.

Questão 4
Na República, livro VII, apresenta-se a "alegoria da caverna", em que se diz que, quando o homem sai da caverna, ele vê o sol e esse corresponde à ideia do Bem.
De acordo com esse texto de Platão, pode-se afirmar que o conhecimento:
A) está vinculado a uma maneira de viver, mas tal alegoria mostra que não é assim que se encontra a verdade.
B) não é pensado, na vida dos homens, como vinculado a um modo de vida; a alegoria é apenas ilusória.
C) está vinculado a uma maneira de viver, e a educação oferece os meios para a alma voltar-se para o Bem.
D) não é pensado, na vida dos homens, como vinculado a um modo de vida; a alegoria mostra que o homem pode ser feliz.

Questão 5
"Tem presente, portanto, que concordaste que também é justo cometer atos prejudiciais aos governantes e aos mais poderosos, quando os governantes, involuntariamente, tomam determinações inconvenientes para eles - uma vez que declaras ser justo que os súditos executem o que prescreveram os governantes." (Platão, República, 339e)
Em meio à discussão sobre a justiça, Sócrates sintetiza do modo acima citado a posição de Trasímaco.
As afirmações de Trasímaco que dão base a essa síntese de Sócrates são:
A) Justiça é fazer o mal para os mais fracos; os que obedecem devem, às vezes, recusar-se a obedecer aos mais fortes.
B) Justiça é fingir que se faz o bem geral, visando ao proveito próprio; deve-se fazer os fracos pensarem que as decisões dos fortes os favorecem.
C) É justo obedecer àqueles que governam; os governantes são passíveis de cair em erro em suas decisões.
D) Justiça é aquilo que convém ao mais forte; os governantes nunca se enganam ao intentar tomar decisões que lhes favorecem.

Questão 6
Em O banquete (203b-204d; 210a-212d), de Platão, Sócrates apresenta os ensinamentos de Diotima sobre o amor e a beleza.
Sobre o modo como esses conceitos são compreendidos nesse trecho, pode-se afirmar que:
A) o amor aos belos corpos deve abrir o caminho à contemplação da beleza em si.
B) só os sábios desejam o que é belo, pois os ignorantes não reconhecem a beleza.
C) o amor pelos belos corpos é suficiente para a contemplação da beleza em si.
D) Eros, por ser belo, deve ser objeto de contemplação apenas dos filósofos.

Questão 7
Segundo Aristóteles (Metafísica, IV, 1, 1003a20-30), a ciência do ser enquanto ser e as demais ciências consideram, respectivamente:
A) o ser enquanto ser universalmente - os princípios constitutivos da realidade como um todo.
B) as características particulares do ser enquanto ser - as características universais do ser.
C) o ser enquanto ser universalmente - as características de uma parte do ser.
D) as características particulares do ser enquanto ser - as características de uma parte do ser.

Questão 8
Segundo Aristóteles, "nos tornamos justos praticando atos justos" (Ética a Nicômaco, II, 1103b).
A afirmação que melhor expressa seu pensamento está indicada em:
A) basta a compreensão do sumo bem para tornar possível a vida moral.
B) adquirimos as virtudes ou excelências morais por meio da prática habitual.
C) somos naturalmente injustos e só realizamos a justiça pela instrução.
D) é preciso agir contrariamente à natureza para nos tornarmos justos.

Questão 9
Aristóteles afirma que a linguagem permite ao homem expressar em comum as noções de desvantajoso e vantajoso, justo ou injusto.
Essa afirmação leva o autor a concluir que o homem:
A) possui naturalmente tais noções éticas e, portanto, pode associar-se em torno delas na família e no Estado (pólis).
B) não possui naturalmente tais noções éticas, mas pode chegar a um acordo sobre o modo de vivê-las na família e no Estado (pólis).
C) possui naturalmente tais noções éticas, mas não pode associar-se em nenhuma instância, seja na família ou no Estado (pólis).
D) não possui naturalmente tais noções éticas, mas a transferência de poder a um governante é o que possibilita a vida no Estado (pólis).

Questão 10
"Começando a lê-los [os livros da Sagrada Escritura] notei que tudo que havia de verdadeiro nos textos platônicos também se encontrava nesses textos em meio à proclamação de Vossa graça" (Agostinho, Confissões, VII, 21).
A afirmação acima endossa uma tese muito comum à investigação filosófica e teológica da Idade Média cristã, a saber:
A) Platão teve acesso aos escritos de Moisés e não fez nada além de ocultar a originalidade do profeta hebreu.
B) As verdades cristãs não são compatíveis com nenhuma espécie de conhecimento filosófico ou racional.
C) A Revelação é historicamente anterior à Filosofia, e esta última não pode contribuir em nada para esclarecer os conteúdos da fé.
D) A Revelação é mais ampla que a Filosofia por abarcar verdades que esta última não alcançaria por si só e ainda por conter verdades filosóficas.

Questão 11
I. Deus é o Criador do mundo.
II. A existência do mal no mundo não é responsabilidade de Deus.
Agostinho concilia essas duas teses da seguinte forma:
A) O mundo, por ser substância divina, é bom em si mesmo; apenas os homens experimentam as coisas como más de modo absoluto.
B) Deus cria o mundo através de dois princípios coeternos equivalentes em luta permanente, a saber: o Bem e o Mal, este último princípio explica a segunda tese.
C) Tudo que Deus cria é bom, inclusive a vontade do homem, que escolhe, livremente, trocar o Bem imutável pelos bens mutáveis, isto é, pecar.
D) Ontologicamente, apenas Deus é bom; a simples existência das coisas criadas, portanto, já permite justificar a possibilidade de algum mal no mundo.

Questão 12
"Existe algo verdadeiríssimo, ótimo, nobilíssimo e, por conseguinte, o ser máximo, pois todas as coisas que são verdadeiras ao máximo são os maiores seres (...). O que é máximo em algum gênero é causa de tudo o que é daquele gênero." (Tomás de Aquino, Suma teológica, I, q. 2, a. 1)
"A perfeição do universo requer que haja coisas incorruptíveis assim como coisas corruptíveis, portanto, que haja coisas que possam deixar de ser boas, o que de fato por vezes ocorre." (Tomás de Aquino, Suma teológica, I, q. 48, a. 2)
Essas citações são passos argumentativos que levam Tomás de Aquino a concluir, respectivamente, que:
A) Deus é a causa da existência de todos os seres, assim como de toda bondade e qualquer perfeição; e o mal está presente nas coisas.
B) Deus é a causa da existência de todos os seres, assim como de toda bondade e qualquer perfeição; e, portanto, o mal não pode estar presente nas coisas.
C) filosoficamente, não se pode provar a existência de Deus, mas apenas de um gênero supremo (ser); e não se pode concluir pela presença ou não do mal nas coisas.
D) filosoficamente, não se pode provar a existência de Deus, mas apenas dos gêneros relativos às perfeições; e o mal está presente nas coisas.

Questão 13
"O intelecto humano se põe no meio [entre os sentidos e o intelecto angélico]: não é ato de um órgão corporal, mas é uma potência da alma, que é forma do corpo, como ficou demonstrado. Por isso, é sua propriedade conhecer a forma que existe individualizada em uma matéria corporal, mas não essa forma enquanto está em tal matéria. Ora, conhecer dessa maneira, é abstrair a forma da matéria individual, que as representações imaginárias significam." (Tomás de Aquino. Suma teológica, I, q. 85, a. 1.)
I. O intelecto humano conhece por abstração porque
II. A alma, da qual esse intelecto é potência, é forma do corpo.
Considerando o trecho acima e as duas afirmações sobre a teoria da abstração em Tomás de Aquino:
A) I é verdadeira e II é falsa, e II não é condição para I.
B) I é verdadeira e II é verdadeira, mas II não é condição para I.
C) I é verdadeira e II é verdadeira, e II é condição para I.
D) I é verdadeira e II é verdadeira, e I é condição para II.

Questão 14
Em suas Meditações metafísicas, Descartes tem em vista abandonar todas as opiniões que se mostram duvidosas e incertas que são tomadas como "princípios mal assegurados".
Com isso, Descartes tem por objetivo:
A) defender que são impossíveis verdades objetivas, apenas subjetivas.
B) rejeitar ceticamente qualquer fundamento para a ciência.
C) demonstrar que a matemática é o fundamento do conhecimento.
D) estabelecer algo de constante e de firme nas ciências.

Questão 15
Segundo Hobbes (Leviatã, XIV), "o direito consiste na liberdade de fazer ou de omitir, ao passo que a lei determina ou obriga a uma dessas duas coisas".
Além disso, o autor afirma como regra geral da razão "que todo homem deve esforçar-se pela paz, na medida em que tenha esperança de consegui-la, e caso não a consiga pode procurar e usar todas as ajudas e vantagens da guerra".
A primeira e a segunda parte dessa regra geral da razão encerram, respectivamente:
A) a lei de natureza, por conter uma obrigação - o direito de natureza, por ser um preceito de liberdade.
B) a lei de natureza, por ser preceito de liberdade - o direito de natureza, por conter uma obrigação.
C) o direito de natureza, por conter uma obrigação - a lei de natureza, por ser preceito de liberdade.
D) o direito de natureza, por ser um preceito de liberdade - a lei de natureza, por conter uma obrigação.

Questão 16
Apenas os princípios da não contradição e da identidade nascem conosco.
Diante dessa tese, Locke:
A) concorda; sem esses princípios nenhuma percepção lógica da realidade é possível.
B) concorda; na idade adulta todos os homens alcançam essas máximas.
C) discorda; se assim fosse, crianças e idiotas também alcançariam esses princípios.
D) discorda; tais noções primitivas são recebidas na alma no momento de sua criação.

Questão 17
Para Rousseau, quando alguém ousou dizer "Isto é meu" e encontrou pessoas que lhe deram crédito, foi fundada a sociedade civil, a qual significa o afastamento da vida natural.
Sobre tal afastamento, considere as seguintes teses:
I. Os homens adquiriram uma ideia de propriedade distante do primeiro estado de natureza;
II. A bondade própria ao puro estado de natureza não convinha à sociedade civil nascente;
III. No estado de natureza os homens viviam livres e felizes;
IV. A igualdade desapareceu, a propriedade se introduziu e o trabalho se tornou necessário.
De acordo com Rousseau, estão corretas:
A) apenas as teses I e II.
B) apenas as teses I e III.
C) apenas as teses I e IV.
D) as teses I, II, III e IV.

Questão 18
Em sua Investigação sobre o entendimento humano, Hume distingue as percepções da mente humana em dois tipos: de um lado, o pensamento (ou as ideias); de outro, as impressões (as sensações).
Sobre essas percepções, pode-se afirmar que o pensamento:
A) é menos vivaz do que a mais embotada das sensações.
B) atinge sempre a mesma vivacidade que as sensações.
C) é tão vivaz quanto as sensações, por ir além da experiência.
D) é mais vivaz que as sensações, por ser mais complexo.

Questão 19
Na "Quarta Proposição" da Idéia de uma história universal de um ponto de vista cosmopolita, Kant escreve:
"O meio de que a natureza se serve para realizar o desenvolvimento de todas as suas disposições é o antagonismo delas na sociedade, na medida em que ele se torna ao fim a causa de uma ordem regulada por leis desta sociedade. Eu entendo aqui por antagonismo a insociável sociabilidade dos homens, ou seja, sua tendência a entrar em sociedade que está ligada a uma oposição geral que ameaça constantemente dissolver essa sociedade. Esta disposição é evidente na natureza humana."
Com base nesse texto, o antagonismo que leva ao desenvolvimento das disposições naturais dos homens ocorre entre:
A) a tendência individual para a socialização e a disposição para a vida natural.
B) diferentes sociedades em estado de guerra, e não entre indivíduos isolados.
C) diferentes classes sociais; cada época possui seu próprio conflito entre classes.
D) a tendência para a socialização e uma oposição geral dos indivíduos entre si.

Questão 20
Segundo Kant, na Crítica da razão pura, as formas originárias da sensibilidade, espaço e tempo, são:
A) conceitos a priori, mas não puros, pois pertencem à sensibilidade.
B) condições necessárias de todas as relações em que objetos são intuídos.
C) intuições a priori, mas não puras, pois constituem o objeto empírico.
D) conceitos puros a priori, que organizam os objetos empíricos.

Questão 21
Kant, na "Analítica do belo", na Crítica da faculdade de julgar, compreende o juízo de gosto como faculdade do julgamento do belo.
Sobre os conceitos "juízo de gosto" e "belo", pode-se afirmar, respectivamente, que:
A) é determinado independentemente de todo interesse - apraz universalmente sem conceito.
B) é determinado independentemente de todo interesse - apraz particularmente através de conceitos.
C) é constituído pelo interesse no que é agradável - apraz particularmente sem conceito.
D) é constituído pelo interesse no que é bom - apraz universalmente através de conceitos.

Questão 22
"O saber que é o nosso objeto em primeiro lugar e imediatamente, não pode ser senão aquele que é, ele próprio, saber imediato, saber do imediato ou do existente. Igualmente devemos nos comportar de modo imediato e receptivo e, portanto, não mudando nele coisa alguma com relação ao modo como se oferece e mantendo afastada da nossa apreensão a atividade de conceber." (Hegel. Fenomenologia do espírito.)
A passagem citada acima refere-se à:
A) pré-consciência, quando a consciência não iniciou sua formação.
B) certeza sensível, que desconsidera qualquer mediação.
C) percepção, pois ser receptivo e ser perceptivo são o mesmo.
D) consciência de si, pois o modo como ela se oferece não muda.

Questão 23
A alternativa que corresponde mais adequadamente ao materialismo de Marx é:
A) O ser não determina a consciência, isto é, a subjetividade humana determina a vida material.
B) A sensibilidade e o objeto devem ser apreendidos como atividade prática, humana e sensível.
C) O idealismo concebe a atividade de modo concreto, ao reconhecê-la como real e sensível.
D) As forças produtivas sociais equivalem ao sujeito, e as relações de produção equivalem ao objeto.

Questão 24
São constitutivos da fenomenologia de Husserl:
A) método da crítica do conhecimento, doutrina universal das essências, círculo hermenêutico.
B) pressuposição da realidade dada, suspensão do juízo da atitude natural, método indutivo.
C) doutrina particular das essências, suspensão do juízo da atitude natural, método experimental.
D) suspensão do juízo da atitude natural, intencionalidade, doutrina universal das essências.

Questão 25
Em "Que é metafísica?", Heidegger afirma que são características de toda questão metafísica e de sua formulação, respectivamente:
A) abarcar a totalidade da metafísica - quem interroga é, enquanto tal, problematizado na questão.
B) abarcar a totalidade da metafísica - a ciência é, enquanto tal, sempre colocada em questão.
C) basear-se em pesquisas históricas - quem interroga é, enquanto tal, problematizado na questão.
D) basear-se em pesquisas históricas - a ciência é, enquanto tal, sempre colocada em questão.

Questão 26
"Toda interpretação que se coloca no movimento de compreender já deve ter compreendido o que se quer interpretar" (Ser e tempo, § 32).
Nesse trecho, Heidegger caracteriza o conceito de:
A) disposição afetiva.
B) círculo hermenêutico.
C) circularidade lógica.
D) primado ontológico.

Questão 27
Em O existencialismo é um humanismo, Sartre cita Dostoievski: "Se Deus não existe, tudo é permitido".
A interpretação de Sartre sobre essa sentença está indicada de modo mais adequado em:
A) Deus não existe e não há essência humana anterior à sua existência; o homem, condenado à liberdade e lançado no mundo, é responsável por tudo o que faz.
B) Ou a moral não tem um fundamento absoluto (Deus), ou não há moral possível; como essa fundamentação moral é necessária, Deus tem de, necessariamente, existir.
C) Deus não existe e não há essência humana anterior à sua existência; é necessário então afirmar o relativismo moral para toda e qualquer ação humana.
D) Deus não existe e não há essência humana anterior à sua existência; no entanto, é necessário considerar certos valores como existindo a priori.

Questão 28
"Muito embora o planejamento do mecanismo pelos organizadores dos dados, isto é, pela indústria cultural, seja imposto a esta pelo peso da sociedade que permanece irracional apesar de toda racionalização, essa tendência fatal é transformada em sua passagem pelas agências do capital de modo a aparecer como o sábio desígnio dessas agências. Para o consumidor, não há nada mais a classificar que não tenha sido antecipado no esquematismo da produção. A arte sem sonho destinada ao povo realiza aquele idealismo sonhador que ia longe demais para o idealismo crítico." (Dialética do esclarecimento, "A indústria cultural: o esclarecimento como mistificação das massas")
A partir do trecho acima e de acordo com a concepção de Adorno e Horkheimer sobre a indústria cultural, pode-se afirmar que:
A) a "arte sem sonho" destinada às grandes massas é mais realista, e por isso capaz de superar o idealismo crítico.
B) os artistas, individual e coletivamente, são capazes de estabelecer os fins da produção cultural de forma autônoma.
C) a indústria, ao realizar o esquematismo para os sujeitos-clientes, realiza a formação dos sujeitos autônomos.
D) a racionalidade técnica dominante na indústria não é suficiente para a criação de uma sociedade racional.

Questão 29
Em A lógica da pesquisa científica, Popper defende que as teorias científicas devem:
A) ser constituídas por enunciados universais passíveis de falseamento.
B) ser constituídas por inferência de enunciados universais a partir de singulares.
C) fundamentar os enunciados científicos pela verificação dos fatos.
D) fundamentar a explicação dos fatos pelo método indutivo.

Questão 30
Em A estrutura das revoluções científicas, Kuhn tem por objetivo:
A) estabelecer uma separação nítida entre ciência, religião e metafísica.
B) apresentar um modelo que justifique a ciência como concepção de mundo atemporal.
C) mostrar que a ciência se desenvolve apenas pela acumulação de descobertas.
D) esboçar um conceito de ciência diverso do estereótipo a-histórico que se atribui a ela.

Questão 31
Acerca da investigação sobre o poder realizada por Foucault em Vigiar e punir, é mais adequado afirmar que:
A) não se encontra ainda a elaboração de uma microfísica do poder, pois se trata de realizar a genealogia das grandes instituições penitenciárias.
B) poder e saber estão diretamente implicados: as relações de poder constituem sempre campos de saber; e saber sempre supõe e constitui relações de poder.
C) a constituição do sujeito livre e capaz de conhecimento é o requisito fundamental para a análise e compreensão dos mecanismos do poder.
D) a descoberta do poder disciplinar como inspirador do Panopticon é a realização que permite compreender o poder como apropriação.

Questão 32
"A única versão defensável da doutrina do caráter sagrado da vida humana era o que poderíamos chamar de "doutrina do caráter sagrado da vida pessoal". Sugeri que, se a vida humana tem mesmo um valor especial ou um direito especial a ser protegida, ela os tem na medida em que a maior parte dos seres humanos são pessoas." (Singer, Peter. Ética prática, capítulo 5).
Baseado nessa versão da "doutrina do caráter sagrado da vida humana", Peter Singer afirma que, se alguns animais são pessoas, então a vida desses animais:
A) deve ter o mesmo valor especial, ou o mesmo direito à proteção que a dos seres humanos que são pessoas.
B) deve ter o mesmo valor especial, mas não o mesmo direito à proteção que a dos seres humanos que são pessoas.
C) não tem nenhum valor especial, mas tem o mesmo direito à proteção que a dos seres humanos que são pessoas.
D) não tem nenhum valor especial, nem o mesmo direito à proteção que a dos seres humanos que são pessoas.

Questão 33
Alguns filósofos criticaram a metafísica e o pensamento filosófico tradicional.
Sobre essas críticas, pode-se afirmar que, segundo:
A) Kant, a metafísica não é possível como ciência porque o fenômeno só pode ser apreendido por uma intuição intelectual.
B) Nietzsche, as teorias metafísicas realizam uma integração completa entre valores absolutos que devem, ao contrário, ser opostos.
C) Heidegger, são dois os preconceitos que perpassam a pergunta pelo ser: o ser é o conceito mais universal e o ser é o imediato indeterminado.
D) Wittgenstein, nas Investigações filosóficas, a filosofia não pode fundamentar nem deduzir, mas apenas descrever o uso da linguagem.

Questão 34
Inteligência, entendimento, fé e suposição. Essa ordem indica, decrescentemente, "graus de clareza" quanto aos objetos de conhecimento para:
A) Platão, que relaciona tais graus de clareza ao que seus respectivos objetos têm de verdade.
B) Tomás de Aquino, pois sem inteligência e entendimento, fé é mera adesão ao testemunho de outro.
C) Descartes, que considera a clareza e a distinção como critérios para separar verdade e falsidade.
D) Kant, pois associa fé à opinião, e os objetos da inteligência e do entendimento à razão pura.

Questão 35
Na filosofia contemporânea, pode-se afirmar que a verdade, de acordo com:
A) Marx, é realizada na práxis, isto é, a teoria deve ser completamente abandonada em favor da prática.
B) Nietzsche, é um conjunto de ilusões que parece canônico após longo uso, por se ter esquecido seu caráter metafórico.
C) Heidegger, é, em sentido originário (alétheia), uma propriedade primordialmente atribuída às proposições.
D) Wittgenstein, é a correspondência específica com os fatos realizada na figuração dos jogos de linguagem.

Questão 36
A respeito da reflexão filosófica sobre a moral, pode-se afirmar que, segundo:
A) Hume, de fatos podem se deduzir normas, por isso a ética deve ser derivada da ciência.
B) Kant, o dever é a imposição da lei moral dada pelas inclinações e necessidades humanas.
C) Nietzsche, todos os valores absolutos devem ser acolhidos a partir da perspectiva da vida.
D) Mill, a utilidade é a capacidade de promover a maior felicidade para o maior número.

Questão 37
O desejo é uma noção próxima de outras, como apetite, paixões, inclinações e refere-se, de modo geral, a impulsos ou tendências que não são guiados pela razão.
Sobre algumas formas mais clássicas de se conceber o desejo, pode-se afirmar que, de acordo com:
A) Aristóteles, as paixões humanas estão relacionadas ao saber prático, e excluem quaisquer relações com o saber teorético.
B) Maquiavel, o príncipe, para conservar seu poder e sua respeitabilidade, sempre deve satisfazer os desejos dos súditos.
C) Nietzsche, grande parte do pensamento consciente de um filósofo é secretamente guiado por seus instintos.
D) Freud, a consciência moral é senhora dos desejos inconscientes, causadores da neurose em indivíduos imorais.

Questão 38
Ao longo da história, algumas das teses políticas de Aristóteles mereceram críticas de outros autores. Entre essas teses, pode-se citar a concepção do Estado justo como uma comunidade una e indivisa; a finalidade do Estado como sendo o bem comum; e a necessidade de os governantes serem virtuosos por serem exemplo para os governados, que os imitam.
Sobre os autores que criticaram Aristóteles, pode-se afirmar que, de acordo com:
A) Maquiavel, o príncipe deve parecer ter as virtudes éticas, sendo necessário em algumas circunstâncias agir contrariamente a elas.
B) Hobbes, o Estado faz o contrato social surgir naturalmente da convergência dos cidadãos em torno de seu próprio desenvolvimento.
C) Marx, a economia política é o que torna uma comunidade una e indivisa e realiza o bem comum que é o objetivo do Estado.
D) Foucault, a sociedade disciplinar se constitui pelo estabelecimento da soberania, através da delegação de poder pelos indivíduos nas instituições.

Questão 39
A tragédia é uma forma de arte abordada por diferentes pensadores, que a consideraram um dos grandes gêneros artísticos.
De acordo com Aristóteles e Nietzsche, respectivamente, a tragédia envolve:
A) a imitação de ações de caráter elevado através das quais o herói é levado a um destino de infortúnio - a articulação entre os impulsos artísticos da figuração plástica e da música.
B) a imitação de ações de caráter elevado que provocam o êxito do herói - a predominância do impulso dionisíaco sobre o apolíneo a ponto de excluí-lo totalmente.
C) a imitação de ações de caráter baixo que provocam o êxito do herói - a predominância do impulso apolíneo sobre as manifestações dionisíacas a ponto de excluí-las totalmente.
D) a imitação de ações de caráter baixo que provocam a decadência do herói - a destruição mútua dos impulsos artísticos da figuração plástica e da música.

Questão 40
No "método de analogia lógica", utilizado para determinar e um argumento silogístico é válido ou não, substituem-se algumas palavras por outras, cujo sentido conhecemos, mantendo a forma do argumento. Se, então, depara-se com premissas verdadeiras e conclusão falsa, sabe-se que o argumento é inválido.
A característica do silogismo que torna possível esse método está expressa em:
A) A premissa maior tem extensão lógica maior do que a premissa menor.
B) A validade ou a invalidade de um silogismo é uma questão puramente formal.
C) A validade ou a invalidade de um silogismo depende de seu conteúdo específico.
D) A conclusão tem extensão lógica menor do que as premissas.

GABARITO:
01)C 21)A
02)B 22)B
03)A 23)B
04)C 24)D
05)C 25)A
06)A 26)B
07)C 27)A
08)B 28)D
09)A 29)A
10)D 30)D
11)C 31)B
12)A 32)A
13)C 33)D
14)D 34)A
15)A 35)B
16)C 36)D
17)D 37)C
18)A 38)A
19)D 39)A
20)B 40)B
Fonte: http://www.filosofia.com.br/




ENEM 2010: Questões de Filosofia

A política, foi inicialmente, a arte das pessoas se ocuparem do lhes diz respeito. Posteriormente, passou a ser a arte de compelir as pessoas a decidirem sobre aquilo de que nada entendem.









VALÉRY, P. Cadernos. Apud BENEVIDES, M.V.M. A cidadania ativa. São Paulo: Ática, 1996.









Nesta definição o autor entende que a história da política está dividida em dois momentos principais: um primeiro, marcado pelo autoritarismo excludente, e um segundo caracterizado por uma democracia incompleta. Considerando o texto, qual é o elemento comum a esses dois momentos da história política?









a. A distribuição equilibrada do poder.



b. O impedimento da participação popular.



c. O CONTROLE DAS DECISÕES POR UMA MINORIA.



d. A valorização das opiniões mais competentes.



e. A sistematização dos processos decisórios.









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O príncipe, portanto, não deve se incomodar com a reputação de cruel, se seu propósito é manter o povo unido e leal. De fato, com uns poucos exemplos duros poderá ser mais clemente do que outros que, por muita piedade, permitem aos distúrbios que levem ao assassínio e ao roubo.









MAQUIAVEL, N. O Príncipe. São Paulo. Martin Claret, 2009.









No século XVI, Maquiavel escreveu O Príncipe, reflexão sobre a monarquia e a função do governante. A manutenção da ordem social, segundo esse autor, baseava-se na









a. Inércia do julgamento de crimes polêmicos.



b. Bondade em relação ao comportamento dos mercenários.



c. Compaixão quanto à condenação de transgressões religiosas.



d. Neutralidade diante da condenação dos servos.



e. CONVENIÊNCIA ENTRE O PODER TIRÂNICO E MORAL DO PRÍNCIPE.









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A lei não nasce da natureza, junto das fontes frequentadas pelos primeiros pastores; a lei nasce das batalhas reais, das vitórias, dos massacres, das conquistas que têm sua data e seus heróis de horror: a lei nasce das cidades incendiadas, das terras devastadas, ela nasce com os famosos inocentes que agonizam no dia que está amanhecendo.









FOUCAULT, M. Aula de 14 e janeiro de 1976. In: Em defesa da sociedade. São Paulo: Martins Fontes, 1999.









O filósofo Michel Foucault (séc. XX) inova ao pensar a política e a lei em relação ao poder e à organização social. Com base na reflexão de Foucault, a finalidade das leis na organização das sociedades modernas é









a. Combater ações violentas na guerra entre as nações.



b. Coagir e servir para refrear a agressividade humana.



c. Criar limites entre a guerra e a paz praticadas entre os indivíduos de uma mesma nação.



d. Estabelecer princípios éticos que regulamentam as ações bélicas entre países inimigos.



e. ORGANIZAR AS RELAÇÕES DE PODER NA SOCIEDADE E ENTRE OS ESTADOS.









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A ética precisa ser compreendida como um empreendimento coletivo a ser constantemente retomado e rediscutido, porque o produto da relação interpessoal e social. A ética supõe ainda que cada grupo social se organize sentindo-se responsável por todos e que crie condições para um exercício de pensar e agir autônomos. A relação entre ética e política é uma questão de educação e luta pela soberania dos povos. É necessária uma ética renovada, que se construa a partir da natureza de valores para organizar também uma nova prática política.



CORDI. et al. Para filosofar. São Paulo: Scipione, 2007 (adaptado)







O século XX teve de repensar a ética para enfrentar novos problemas oriundos de diferentes crises sociais, conflitos ideológicos e contradições da realidade. Sob este enfoque e a partir do texto, a ética pode ser compreendida como





a. INSTRUMENTO DE GARANTIA DA CIDADANIA, PORQUE ATRAVÉS DELAS OS CIDADÃOS PASSAM A PENSAR E A AGIR DE ACORDO COM VALORES COLETIVOS.



b. Mecanismo de criação dos direitos humanos, porque é da natureza do homem ser ético e virtuoso.



c. Meio para resolver os conflitos sociais no cenário da globalização, pois a partir do entendimento do que e efetivamente a ética, a política internacional se realiza.



d. Parâmetro para assegurar o exercício político primando pelos interesses a ação privada dos cidadãos.



e. aceitação de valores universais implícitos numa sociedade que busca dimensionar sua vinculação à outras sociedades.









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Na ética contemporânea, o sujeito é não é mais um sujeito substancial, soberano e absolutamente livre, nem um sujeito empírico puramente natural. Ele é simultaneamente os dois, na medida em que é um sujeito histórico-social. Assim, a ética atinge um dimensionamento político, uma vez que a ação do sujeito não pode mais ser vista e avaliada fora da relação social coletiva. Desse modo, a ética se entrelaça, necessariamente com a política, entendida esta como a área de avaliação de valores que atravessas as relações sociais e que interliga os indivíduos entre si.



O texto, ao evocar a dimensão histórica do processo de formação da ética na sociedade contemporânea, ressalta



a. Os conteúdos éticos decorrentes da ideologias político-partidárias.



b. O valor da ação humana derivada de preceitos metafísicos.



c. A sistematização de valores desassociados da cultura.



d. O SENTIDO COLETIVO E POLÍTICO DAS AÇÕES HUMANAS INDIVIDUAIS.



e. O julgamento das ação ética pelos políticos eleitos politicamente.









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A questão tinha um quadrinho da Mafalda dizendo numa fila para vacinar-se a uma enfermeira: "Viemos nos vacinar contra o despotismo"



Democracia: “regime político no qual a soberania é exercida pelo povo, pertence ao conjunto de cidadãos.”





JAPIASSÚ, H; MARCONDES, D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 2006.



Uma suposta “vacina” contra os despotismo, em um contexto democrático, tem por objetivo





a. Impedir a contratação de familiares para o serviço público.



b. Reduzir a ação das instituições constitucionais.



c.Combater a distribuição equilibrada de poder.



d. EVITAR A ESCOLHA DE GOVERNANTES AUTORITÁRIOS.



e. Restringir a atuação do parlamento.











Provas de Concursos e do Vestibular









(29/Set) Prova e Gabarito - Professor de Filosofia - Prefeitura Municipal de Cariacica - ES - Universidade Federal Fluminense - UFF - 2009









CONHECIMENTO ESPECÍFICO









21. Desde Tales de Mileto, as explicações sobre o cosmos são realizadas por meio de argumentos, razões plausíveis para que o processo desencadeado pela physis se comporte de determinada maneira. Tais argumentos são confrontados por outros filósofos e, progressivamente, as concepções tornam-se cada vez mais elaboradas. Dessa forma, o pensamento filosófico que emerge nesse movimento distancia-se do pensamento mítico, entre outras razões, porque:



A) inaugura o primado da transformação permanente pela interferência contínua dos deuses na criação do cosmos;



B) busca uma physis arcaica e antropomórfica, que une o homem ao cosmo sem sua estabilidade;



C) apresenta uma visão de mundo com base racional que pode ser repensada por meio de argumentação e substituída;



D) descreve uma cosmogonia inovadora racionalizada por meio de ritos simbólicos criados pela ação do homem;



E) as narrativas mágico-religiosas são substituídas por outra linguagem mágico-simbólica para representar o sagrado.









22. Podem-se considerar como três das características básicas da ciência moderna, em contraposição à filosofia clássica e ao pensamento teológico cristão:



A) controle técnico da natureza, método experimental, quantificação dos fenômenos;



B) reflexão sobre o homem e o mundo, aliança com a técnica, verdades inquestionáveis;



C) rigor intelectual, método empírico-dedutivo, harmonização entre razão e fé;



D) hipóteses confrontadas com a realidade, verdades absolutas, narrativas matemáticas;



E) linguagem matemática, método experimental e impossibilidade de refutação









23. Para Aristóteles, o ser é a substância, cada indivíduo particular constituído por uma forma, que responde pela essência imutável do ser, unida à matéria, que garante o movimento, a diversidade, a transformação.Assim sendo:



A) o ser existe primeiramente como a essência expressa em sua forma;



B) matéria e forma determinam a existência do ser como um composto;



C) o que define o ser é exclusivamente sua essência;



D) o ser depende de uma causa final e uma causa formal excludentes;



E) a substância é causa do ser enquanto ser, e exclui o dever.









Leia o texto abaixo e responda às questões 24, 25 e 26.



"O homem faz-se; ele não está pronto logo de início; ele se constrói escolhendo a sua moral; e a pressão das circunstâncias é tal que ele não pode deixar de escolher uma moral. Só definimos o homem em relação a um engajamento. (...) Se alguma vez o homem reconhecer que está estabelecendo valores, em seu desamparo, ele não poderá mais desejar outra coisa, a não ser a liberdade como fundamento de todos os valores. Isso não significa que ele a deseje abstratamente. Mas, simplesmente, que os atos dos homens de boa fé possuem como derradeiro significado a procura da liberdade enquanto tal".



(SARTRE. O existencialismo é um humanismo.)









24. A passagem transcrita do texto que indica o princípio existencialista, pelo qual a existência precede a essência é:



A) "os atos dos homens de boa fé possuem como derradeiro significado a procura da liberdade";



B) "a pressão das circunstâncias é tal que ele não pode deixar de escolher";



C) "Isso não significa que ele a deseje (a liberdade) abstratamente";



D) "não poderá mais desejar outra coisa, a não ser a liberdade como fundamento de todos os valores";



E) "O homem faz-se; ele não está pronto logo de início".









25. É possível inferir-se do texto que:



A) a diretriz do determinismo é o princípio gratuito da liberdade;



B) o princípio do ceticismo é condição de possibilidade da liberdade;



C) a tônica do pensamento existencialista é o idealismo determinista;



D) o objetivo da liberdade, em sua concretude, é querer-se a si própria;



E) o absurdo sentido da vida exclui a liberdade gratuita e engajada.









26.O texto indica que, para Sartre:



A) os valores são determinados por Deus;



B) a liberdade é o fundamento de todos os valores;



C) a ética constitui-se pela procura da felicidade;



D) não pode haver moral porque Deus não existe;



E) o valor máximo é a vontade de poder.









27. "Desde Copérnico o homem parece ter caído em um plano inclinado, agora rola cada vez mais depressa afastando-se do centro...Toda ciência tende hoje a dissuadir o homem do apreço que teve até agora por si, como se este nada mais tivesse sido do que uma bizarra vaidade." Nesta passagem da Genealogia da moral, Nietzche critica a posição kantiana de crença absoluta na ciência moderna e na consciência moral. Quanto às conseqüências para a



epistemologia contemporânea, podemos dizer que Nietzsche prenuncia:



A) o pensamento complexo de Edgar Morin, que prioriza as Ciências Humanas e descarta a necessidade da Filosofia;



B) novos paradigmas para o conhecimento científico pelo descentramento progressivo, como apontado por Foucault nas "feridas narcísicas";



C) a crise da ciência moderna que desemboca na técnica informatizada, o raciocínio virtual do homem descentrado, conforme Pierre Levy;



D) a fragmentação radical dos saberes e o fim das certezas, conforme a teoria holística de Ilya Prigogine;



E) a "modernidade líquida" de Zygmunt Bauman, concepção que unifica o sujeito moral e o sujeito cognitivo.









28. Observe o texto.



"A mente, tendo recebido do exterior as ideias (...), ao dirigir seu olhar para dentro, sobre si mesma, e ao observar suas atividades próprias em relação às ideias que já possui, tira de lá outras idéias, que podem ser objeto de sua contemplação tanto quanto aquelas que recebeu das coisas exteriores".



A posição que se evidencia no fragmento de texto acima transcrito é o:



A) empirismo de Locke;



B) idealismo de Kant;



C) racionalismo de Descartes;



D) ceticismo de Hume;



E) existencialismo de Heidegger.









29. Observe o texto.



"Há já algum tempo eu me apercebi de que, desde os meus primeiros anos, recebera muitas falsas opiniões como verdadeiras, e de que aquilo que depois eu fundei em princípios tão mal assegurados não podia ser senão mui duvidoso e incerto; de modo que me era necessário tentar seriamente, uma vez em minha vida, desfazer-me de todas as opiniões a que até então dera crédito, e começar tudo novamente desde os fundamentos, se quisesse estabelecer algo de firme e de constante nas ciências".



(DESCARTES. Meditações.)



Partindo das constatações mencionadas acima, o autor instaura a dúvida hiperbólica, colocando a si mesmo argumentos para confrontar as antigas certezas. Tais argumentos:



A) são conhecidos como argumentos céticos porque confirmam o ceticismo cartesiano;



B) denunciam a hipocrisia moral e a pretensão de que podemos distinguir claramente o BEM e o MAL;



C) constituem o encadeamento de deduções que permite chegar a uma primeira certeza;



D) partem do cogito para concluir a impossibilidade da existência de qualquer substância;



E) são fantasiosos e, portanto, incoerentes com as deduções lógicas encadeadas pelo filósofo.









30. De acordo com a ética aristotélica, o Bem supremo é:



A) Deus, sumamente bom e poderoso que concede a graça da fé aos que poderão encontrá-lo em sua própria alma;



B) a liberdade, característica do eu puro de ultrapassar a causalidade da natureza e forjar seu próprio destino;



C) a boa vontade, regida pela consciência moral, que se submete ao dever na obediência aos imperativos categóricos;



D) a felicidade, buscada por todos os homens, e que necessita ser conquistado numa atividade dirigida pela razão;



E) a vontade de poder, que se realiza no eterno retorno e na possibilidade de superar os valores do cristianismo.









31. Na conclusão da Genealogia da moral, diz Nietzsche: "O homem, o mais bravo e habituado ao sofrimento dentre os animais, não nega em si o sofrer; ele o quer, ele o procura mesmo, pressuposto que lhe indiquem um sentido para isso, um para-quê do sofrimento. A ausência do sentido do sofrer, não o sofrer, era a maldição que até agora esteve estendida sobre a humanidade". A "vontade do nada", Mal Menor por excelência, é atingida nessa linha de raciocínio, na qual o que oferece sentido ao sofrimento é:



A) o ressentimento, negação que se dirige sempre para fora de si mesmo e inviabiliza a existência;



B) o ideal ascético, que preserva a existência de uma vontade como fundamento do sujeito;



C) a gênese dos valores como expressão de verdades que não se submetem ao devir temporal;



D) Deus, fundamento dos valores que permitem a preservação da alma para além do bem e do mal;



E) a vontade própria dos "homens do rebanho", que se distingue da vontade dos senhores e dos nobres.









32. Pode-se dizer que o pensamento político de Locke fundamenta o Estado liberal porque postula a passagem do estado de natureza ao estado de sociedade por meio:



A) da instauração da propriedade privada que impede que a ajuda mútua continue a ocorrer naturalmente;



B) de um contrato estabelecido pela vontade geral em que cada cidadão, ao obedecer às leis, só obedece a si mesmo;



C) de um acordo entre homens livres e iguais que se colocam sob a proteção de um deles com o grande e principal objetivo de preservar a propriedade;



D) de um pacto que impõe um soberano absoluto que impede a destruição de toda a comunidade na guerra de todos contra todos;



E) de uma ordem natural regida pela razão que atribui ao Estado a origem das desigualdades e domínio dos fortes sobre os fracos.









33. O conceito de práxis é fundamental na teoria marxista.



Pode-se compreender a práxis como:



A) o princípio que instaura o poder na sociedade civil por meio de uma dialética da eterna circularidade;



B) a dimensão da prática do homem, descomprometida com qualquer pensamento racional ou lógica da contradição;



C) a instância geradora do conhecimento empírico que abarca toda a compreensão da natureza em sua história;



D) o materialismo enquanto intuição dos indivíduos únicos e singulares inseridos na sociedade das lutas de classe;



E) a relação dialética pela qual o homem, ao transformar a natureza e a sociedade por meio do trabalho, transforma a si mesmo.









34. Pelas relações e transformações que se estabelecem na práxis social constitui-se:



A) a superestrutura responsável pelo desenvolvimento científico da sociedade moderna;



B) o materialismo econômico que se contrapõe ao materialismo dialético e ao determinismo histórico;



C) a divisão do trabalho e o modo de produção capitalista, expressão máxima da História;



D) a infraestrutura econômica sobre a qual se erigem os demais níveis da estruturação social;



E) a hierarquia de classes sociais que fundamentam a sociedade e permanecem constantes.









35. Observe o texto.



"... uma das primeiras coisas a compreender é que o poder não está localizado no Estado e que nada mudará na sociedade se os mecanismo de poder que funcionam fora, ao lado dos aparelhos de Estado a um nível muito mais elementar, não forem modificados".



(MICHEL FOUCAULT. Microfísica do poder.)









De acordo com a posição expressa acima pelo autor, seria importante:



A) conhecer, sobretudo, os micropoderes que se exercem no cotidiano;



B) confirmar a fragilidade do poder no nível do conhecer e do saber;



C) reafirmar que o saber sobre o corpo nada acrescenta à análise do poder;



D) enfocar o enraizamento do poder em uma determinada classe social;



E) perceber que o poder age apenas por meio da censura e do recalque.









Leia o texto abaixo e responda às questões 36, 37 e 38.



Walter Benjamin, em A obra de arte na época de suas técnicas de reprodução, dispõe-se a desmistificar a visão elitista de que os objetos de arte seriam portadores de uma "aura", que



lhes atribuiria valor estético somente enquanto individualizados e únicos. Ele contrapõe que "o homem que se diverte pode também assimilar hábitos; diga-se mais: é claro que ele não pode efetuar determinadas atribuições, num estado de distração, a não ser que elas se lhe tenham tornado habituais. Por essa espécie de divertimento, pelo qual ela tem o objetivo de nos instigar, a arte nos confirma tacitamente que o nosso modo de percepção está hoje apto a responder a novas tarefas".









36. Na obra citada, Benjamin procura demonstrar que:



A) a obra de arte, ao ir mais além do "culto" a ela dispensado pelo seu caráter de raridade, atinge dimensões sociais mais amplas;



B) o talento e poder de expressão do artista criam o valor estético da obra quando aceitos pela elite em que se inserem;



C) o cinema é considerado a arte por excelência a partir do século XX, estando as outras formas de arte condenadas à extinção;



D) o papel social da arte está ligado à "aura" própria dos objetos artísticos que os torna inteligíveis e valorizados;



E) a arte e a cultura de um povo dependem da indústria cultural que as produz e permite sua assimilação.









37. Em sua concepção de arte, Benjamim NÃO aceita:



A) a fruição daqueles que tomam consciência da beleza diante de uma obra de arte;



B) a existência de juízos estéticos quanto ao valor das obras de arte;



C) a concepção de beleza como variável de acordo com o momento histórico;



D) a irreprodutibilidade da obra de arte por seu caráter único e exclusivo de raridade;



E) o poder de instigação que a arte propicia ao abrir novos significados na práxis social.









38. A reflexão de Benjamin poderia servir de argumento para os professores de Filosofia que:



A) restringem suas análises à estética das imagens cinematográficas utilizada como instrumento de criar hábitos de concentração;



B) procuram unir razão e sensibilidade e introduzem a reflexão filosófica a partir dos significados que a imagem cinematográfica instaura;



C) priorizam a diversão, uma vez que o trabalho teórico textual não vem produzindo os efeitos desejados;



D) substituem o intelectual pelo perceptivo e realizam suas aulas numa perspectiva empirista e behaviorista;



E) priorizam como objetivo a construção de hábitos e atitudes como condição de possibilidade da emergência do espírito filosófico.









39. Dentre os "conhecimentos necessários de Filosofia" (LDB, artigo 36, § 1) a serem priorizados estariam os temas emergentes contemporâneos, tais como a globalização, as mudanças na vida cotidiana na sociedade tecnológica, os novos valores e costumes. Tratar esses temas filosoficamente:



A) valoriza a Filosofia pós-moderna que não precisa levar em conta o pensamento clássico dos pensadores antigos nem sistemas e teorias filosóficas obsoletos para a sociedade globalizada em que vivemos;



B) atribui à filosofia um papel secundário e compensatório porque suprime a especificidade da reflexão filosófica uma vez que a análise dos temas se esgota no âmbito de cada disciplina científica;



C) dilui e deturpa necessariamente o papel da Filosofia, que se precariza nesse nível de ensino devido principalmente à falta de base dos alunos que reduz a discussão a considerações próprias do senso comum;



D) restringe o estudo da filosofia a um modismo e "presentismo", não atendendo aos grandes temas da história da filosofia e passando por fora das contribuições dos grandes filósofos;



E) reafirma o papel específico da reflexão filosófica ao buscar o significado dos fatos e problemas, revisar os fundamentos epistemológicos das teorias abordadas e análise crítica das concepções de valores e costumes.









40. Conforme se reafirma nos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio, a introdução da disciplina Filosofia no currículo do Ensino Médio, inserida na área de Ciências Humanas e suas Tecnologias:



A) contribui pouco para a construção da cidadania plena, uma vez que o conhecimento filosófico é eminentemente teórico, o que exclui a possibilidade de qualquer vínculo com a realidade;



B) é a responsável pela construção da cidadania, pois apenas o conhecimento das teorias dos grandes filósofos permite a crítica da sociedade responsável por tal construção;



C) só pode promover a construção da cidadania plena dos estudantes do Ensino Médio caso o currículo desenvolvido, em todas as disciplinas, esteja harmonicamente voltado para tal fim;



D) é inútil para a construção da cidadania ou para qualquer outro fim, uma vez que os estudantes desse nível não apresentam a base cultural necessária para apreender esse tipo de conhecimento;



E) não tem a atribuição de contribuir para a construção da cidadania plena dos estudantes, que é uma competência transversal da área e não um objetivo da disciplina.









PROVA DISCURSIVA



SITUAÇÃO DE REFERÊNCIA:



Um professor da 2ª série do Ensino Médio desenvolveu a seguinte atividade com seus alunos:



Solicitou aos colegas professores da turma que selecionassem pequenos textos de autores contemporâneos que abordassem questões relativas ao conceito de sociedade sob o enfoque de suas disciplinas específicas;



Solicitou aos alunos que pesquisassem, durante uma semana, notícias de jornais ou veiculadas pela televisão que se referissem à sociedade.



Em sala de aula, os alunos, divididos em grupos, trabalharam um dos textos oferecidos pelos diferentes professores seguindo o roteiro abaixo:









Identificar o conceito de sociedade apresentado no texto.



Identificar outros conceitos básicos relacionados ao conceito-chave.



Relacioná-los ao contexto das diferentes disciplinas curriculares.



Explicitar a proposta do autor do texto lido a respeito da questão temática (sociedade).



Relacionar as notícias recortadas dos jornais pelos componentes do grupo com a posição do autor.



Argumentar contra e/ou a favor da posição defendida pelo autor, diante das situações reais apresentadas nas notícias.









A discussão coletiva sobre a atividade realizada subsidiou a apresentação pelo professor do conceito de sociedade segundo teorias filosóficas clássicas.









Observe a situação apresentada e desenvolva um pequeno texto (no mínimo 25 a no máximo 30 linhas) integrando os itens abaixo propostos:









1. Destacar 3 (três) características da Filosofia e atitude filosófica diante do conhecimento evidenciadas na situação descrita no texto, justificando os destaques.



2. Selecionar 3 (três) competências ou habilidades a serem desenvolvidas em Filosofia, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais - Ensino Médio e comentar como poderiam ser construídas na situação apresentada.









GABARITO:



21C - 22A - 23B - 24E - 25D - 26B - 27B - 28A - 29C - 30D - 31B - 32C - 33E - 34D - 35A - 36A - 37D - 38B - 39E - 40C